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Os Que Sobrevivem Do Lixo - Jornal Bom Dia

Os Que Sobrevivem Do Lixo

Os Que Sobrevivem Do Lixo

Não é difícil encontrar um morador em situação de rua dormindo em baixo de marquises de comércios e Praças de Santa Isabel. Muitos são flagrados revirando restos de lixo em uma tentativa frustrante de sobreviver. A reportagem do Jornal Bom Dia flagrou, esta semana, um desses homens em situação de extrema vulnerabilidade, enquanto ‘catava’ restos de comida no chão da Praça da Bandeira.  Ao mesmo tempo, autoridades municipais ignoram a sua presença em meio a centenas de pessoas que frequentam uma das Praças mais importantes do Município.

O mesmo homem flagrado esta semana pela reportagem, também foi fotografado pela equipe do Jornal Bom Dia há cerca de um mês, dormindo ao relento, próximo a comércios alimentícios no Bairro Cruzeiro. Com roupas rasgadas e com os pés descalços, o homem – invisível aos olhos das autoridades - clama por socorro. Ele quer comida, água, ele clama por um recomeço. 

Com a nítida expressão de dor, fome, frio e solidão, o olhar do homem que encontrou a rua como sua única morada, revela o sofrimento por conta da truculência, falta de respeito e violência. Situações, que segundo muitos moradores de rua, são enfrentadas diariamente por quem está exposto, não por opção, e sim por ser o único meio de “seguir vivendo”.

Enquanto a cena de solidão e desrespeito impera na cidade, as Secretarias de Saúde e Promoção Social, as quais tem pleno conhecimento desses casos, simplesmente ignoram o cenário alarmante, fechando os olhos à essas pessoas que mais necessitam de ajuda.

Basta uma breve conversa com essas pessoas para saber do caos que é ter a rua como único lugar para viver. Dos relatos, ressalta-se o ataque de pessoas comuns, que veem esses cidadãos como inimigos.  

“Não estamos ali (na rua) porque nós queremos e sim porque alguma coisa aconteceu em nossas vidas. Todo mundo tem uma história que deve ser respeitada. Eu já tive minha casa, minha família e hoje estou nas ruas. Somos tratados com indiferença, falta de respeito. Não é porque moramos na rua que temos que ser tratados como qualquer coisa. Sofremos muito com as ações repreensivas”, disse um homem, que há seis meses vive nas ruas de Santa Isabel.

A “falta de opção”, repreensão e ausência de assistência descrita por esses moradores, há tempos é observada no Município. O que se vê, é que o problema aumenta ainda mais quando existe a inercia do Poder Executivo em relação a implementação de politicas para a assistência aos moradores de rua.

De acordo com informações extraoficiais, dezenas de recomendações foram feitas a Prefeitura de Santa Isabel para melhorar a assistência aos moradores de rua, que, no entanto, não foram “seguidas”. Recomendações estas, que são frutos de investigações que apontaram a fragilidade do “sistema”.

No entanto, as autoridades insistem em dizer que os próprios moradores recusam assistência. De fato, a abordagem feita pela Secretaria de Promoção Social é dificultosa, no entanto, as autoridades param por ai e não investem, nem mesmo intensificam ações em prol desses cidadãos, que continuam a mercê da falta de respeito e de políticas públicas.

Enquanto isso, este senhor da foto que ilustra esta reportagem , assim como tantos outros, continua sobrevivendo nas ruas de Santa Isabel em situação de extrema vulnerabilidade.  Ele é invisível aos olhos das autoridades, que sem medidas plausíveis para reverter o quadro de desassistência, ignoram o cidadão, que rasteja em busca de alimentos em uma das principais Praças de Santa Isabel.