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SAÚDE IGNORA DECISÃO JUDICIAL E ABANDONA CRIANÇA DE 6 ANOS QUE NECESSITA DE CUIDADOS ESPECIAIS

Nesta segunda-feira, 19, a Juíza de Direito da Comarca de Santa Isabel, Dra. Renata Moreira Dutra Costa despachou um oficio de Aditamento de Mandado à Prefeitura de Santa Isabel, determinando que a municipalidade cumpra, no prazo de cinco dias, com o fornecimento dos insumos requisitados por Karen, sob multa diária de R$100,00, limitada a R$50 mil.

[SAÚDE IGNORA DECISÃO JUDICIAL E ABANDONA CRIANÇA DE 6 ANOS QUE NECESSITA DE CUIDADOS ESPECIAIS]

Karen Dauane das Neves de 22 anos, recorreu à Justiça para garantir os direitos do filho que aos 6 anos de idade necessita  de cuidados especiais. Lucca Eduardo é uma criança com história de pneumonia desde os dois anos, quando foi submetido a internação na Unidade de Pronto Atendimento – UPA. Lá, a criança contraiu uma bactéria, onde permaneceu por 63 dias internado e desenvolveu uma Estenose Subglótica (estreitamento da endolaringe) e chegou a retirar parte do pulmão. Desde então, Karen luta para conseguir garantir os direitos do filho.

“Agora ele usa um tubo T. Ele é o único do Vale do Paraíba que faz uso dessa traqueo e inclusive eu tenho que comprar, pois se eu for depender da prefeitura, meu filho morre”, reforçou.

Ignorada pelo Poder Público Municipal, Karen recorreu à Justiça para garantir que seu filho tenha atendimento médico adequado e consequentemente, melhor qualidade de vida.

Nesta segunda-feira, 19, a Juíza de direito Renata Moreira Dutra Costa despachou um oficio de Aditamento de Mandado à Prefeitura de Santa Isabel, determinando que a municipalidade cumpra, no prazo de cinco dias, com o fornecimento dos insumos requisitados por Karen, sob multa diária de R$100,00, limitada a R$50 mil.

O documento mais uma vez foi desrespeitado pela prefeitura, que segundo Karen, desdenhou até mesmo da ordem da Justiça.

“Me falaram no Gabinete da prefeitura que 100 reais era dinheiro de caneta e que eles (prefeitura), não estavam nem ai. E ainda teve funcionários da prefeitura que disseram que a promotora não manda em nada e que ela só está aqui para assinar papel”, disse.

Karen procurou a Promotora de Justiça de Santa Isabel, Dra. Ana Paula Freitas Vilela Leite e reclamou que a prefeitura não cumpriu com o prazo de cinco dias.

“Eu não vou abandonar o meu filho, como está fazendo a prefeitura de Santa Isabel. Quando meu filho piora, eu procuro atendimento no UPA e lá, eles colocam meu filho no CROS e a médica do CROS ligou e disse que não é caso de transferir, mas sim caso do Município atender. Em Igaratá tem sonda e aqui não tem. É um absurdo!”, reclamou.

Antes de chegar ao judiciário, a mãe de Lucca vem travando uma batalha contra a prefeitura para conseguir oxigênio, aspirador de secreção fluidos, inalador, sonda para aspiração traqueal, cateter nasal, gases e luvas de procedimento.

“Só me falam que estão fazendo compras e até agora nada. Na Secretaria de Saúde me informaram que eu precisava de um documento que comprovasse que meu filho realmente precisava disso. Um fisioterapeuta foi em casa, viu tudo o que meu filho precisava e fez um laudo para a secretaria, mas não adiantou. Eles (prefeitura), disseram que os laudos não interessavam para eles. Isso porque eu já havia entregado diversos documentos do HC e do Incor, mesmo assim, não deram atenção ao meu filho”, disse.

Os documentos foram apresentados por Karen há 3 meses para a Diretora Municipal da Saúde, Arlete Pinheiro, bem como para a Secretária Municipal Estela Santana. No entanto, de acordo com Karen, a justificativa, é que a municipalidade está enviando a solicitação ao setor de compras da prefeitura.

“Cada hora é uma justificativa e não tenho solução. Estão me enrolando e meu filho continua precisando, é um caso grave e a prefeitura abandonou meu filho. Isso é um absurdo e desumano, por isso vou atrás dos meus direitos, sim”, garantiu.

Todo o material que Karen luta para conseguir é estimado em pouco mais de 600 reais. Sem emprego em razão dos cuidados que precisa dispensar ao filho, Karen conta somente com uma pensão ínfima do pai do Luca que já é falecido.

“Fazem três meses que me alegam que estão enviando para o setor de compras ou que necessitam de mais documentos. Preciso ainda de um médico para cuidar do meu filho em casa, um fisio cardiorespiratório, pelo menos três vezes por semana e até hoje, o médico foi somente uma única vez e isso há três meses”, narrou.

Segundo Karen, a criança está sofrendo em consequencia da falta de atendimento médico e o descaso por parte da prefeitura.

“Hoje meu filho não consegue respirar direito, está muito cansado, indisposto e secretivo e vive doente. Vou lutar contra o desdém da prefeitura e garantir os direitos do meu filho”, concluiu.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Santa Isabel para esclarecer a situação. Contudo, até o fechamento desta edição, ninguém se pronunciou.